Desde o início da adolescência que me considero um leitor assíduo de Histórias em Quadrinhos. Para quem amadureceu durante a década de 1990 isso está longe de ser algo bom, basta ver o nível das revistas que foram publicadas na época. Naquele tempo, as histórias eram publicadas com atraso de 3 ou 4 anos em relação aos Estados Unidos e para ler as grandes sagas (como The X-Cutioner's Song ou Age of Apocalipse) sem esperar um tempão, era necessário apelar para a boa e velha Devir Livraria.
Na época, a Devir realizava um serviço parecido com uma assinatura pré-paga, importando os originais gringos e entregando no conforto do seu lar. Foi assim que pus as mãos nos exemplares #1 das revistas da então recém criada Image Comics: Spawn, WildC.A.T.s, The Bone…
Agora você deve estar se perguntando "o que isso tem a ver com o reboot da DC?". Tudo, meu querido! A começar, não é um reboot (termo que deve ser aplicado quando toda a cronologia de um personagem é zerada e começa novamente "do nada", ignorando todas as histórias que já foram publicadas). Esta é mais uma saga de um Universo em crise constante, desde 1984. Essa é apenas mais uma crise, e não deixe a mudança na numeração das revistas te enganar.
A nova fase das 52 revistas da DC é uma tentativa de aproximar, de um jeito não muito tosco, o universo da editora dos personagens da WildStorm (criados por Jim Lee e adquiridos pela DC), a imagem do que a Crise nas Infinitas Terras fez com os heróis da falecida Charlton (Capitão Átomo, Besouro Azul, etc). Só isso.
Li Liga da Justiça #01 tão logo esteve disponivel online, mas não cheguei a comprá-la. Quando digo isto, não estou aqui fazendo apologia à pirataria de gibis: há anos adquiri o estranho hábito de ler as revistinhas antes de comprá-las. Pode parecer "diferente", mas é assim que me esquivo das "armadilhas" de publicações engraçadinhas (aquelas que empurram toda e qualquer tranqueira para cima do leitor, já que "vende mesmo"), ao estilo "as aventuras do homem-mesmisse" e aumento minha coleção com edições especiais de capa dura, que ficam um charme ali na estante. Bonito de ver, viu?
Anyway, o iPad revolucionou minha vida também neste sentido (detesto ler gibis no computador, mas no tablet é outra história) e leio primeiro a edição virtual e depois adquiro a impressa (se a história valer a pena).
Se você a cha que estou exagerando, dê uma boa olhada na imagem ao lado e me diga: você reconhece o Super-Homem aí? Pois é, nem eu. Mas não se preocupe, isso não vai durar. No máximo, até o final do ano e o lançamento do novo filme do Azulão, mas só. E isso porque ao contrário da Marvel, a DC não parece possuir um laço de respeito aos seus personagens: querem vender, vender e vender.

Aliás, alguém explica por que o Super precisaria de uma armadura idêntica à do Batman (aliás, o que o Morcego está fazendo de armadura?) e do Lanterna Verde, quando se encontram pela primeira vez nesta edição? É mais uma atitude "clássica" do Jim Lee, reestruturar uniformes em um padrão desnecessário. Fora que um Superman Bullie, um Batman distraído e um Hal Jordan fanfarrão, ninguém merece.
Junte a isto um vilão de peso como Darkseid em uma história desnecessária e catapimba, bem vindo aos WildC.A.T.'s.
Por isso, não se impressione com o tal reboot, relaxa que isso passa (como dizemos no trânsito de SP). Curta as histórias como devem ser curtidas: aventuras sem profundidade de versões alternativas dos heróis.
Como se fosse uma continuação de FlashPoint, na verdade.
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Oh, WAIT!


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